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Sobre o Querer

Queria muito poder escrever uma canção de amor Que falasse de um futuro Mas como planejar a vida Sem ter você comigo Queria muito poder cantar uma canção Que falasse de nosso amor Mas hoje você é só um sonho bom Que não me preso a ter a dias Queria ver as belezas da vida Escrever tudo em versos Mas sem você por perto Para quem eu contaria Queria ouvir um doce som Que os pássaros cantarem Mas se não for a sua voz Por que me atentaria

Sou o que preciso ser

Eu sou o que preciso ser Sou o que você quer ver Mudo a cada hora do seu dia Com as vinte e quatro horas de todos nós Sou azedo e amargo Mas por você posso ser doce Sou incompleto e imperfeito Mas com você sou eterno Eu sou o que preciso ser Sou o que você quer ver Deixo a mudança para ser constante Até inconstante voltar as ser Sou medroso e carente Mas por você enfrento o mundo Sou brincalhão e desatento Mas por você levo tudo a sério Eu sou o que preciso ser Sou o que você quer ver Me reformo e reinvento Para que minhas palavras não fiquem ao vento Sou organizado e são Mas por você posso enlouquecer Sou metódico e impaciente Mas por você espero

Desenhista

O compasso risca o círculo Sem compasso bate o coração Amor é uma reta sem cálculo Não traçada a uma só mão Um ângulo messo com transferidor Mas com o que se mede a dor Apago linhas feitas sem precisão Ouvindo meu choro vão O amor que nasce é como pintura Na tela envelhece e ganha fissuras O tempo a envaidece e a faz mais encantadora O amor não findo antes de se esboçar Pode tornar forma, cor e molduras Se os pintores assim desejar

Teu cheiro

Queria segurar mais uma vez sua mão e dar um beijo. Queria uma vez mais te abraçar e sentir teu cheiro. Queria uma vez mais ver teu sorriso. Uma vez mais te ver fazer biquinho. Um final de semana e muito tempo sem você. Mais de um dia é uma eternidade sem te ver. Algumas horas sem ouvir sua voz é ruim demais para considerar. Um beijo seu caro demais para se roubar. Não quero muito mais que sua atenção. Não muito mais que estar com você todos os dias. Não muito mais que te fazer sorrir. Não muito mais que ter você pra mim. Minha demora te afastou de meus braços Seus abraços me deram forças Minha indecisão fez o tempo se alongar Seu sorriso me fez sonhar

Carta de Despedida

– Por Sr. Frederico Carta de despedida, Ao honorável e gentil ser, sendo pleno em seu afazeres, polido em todo tratamento, venho por meio deste abdicar-me, do direito e daquele pode ser por todos almejado, de forma que tais pessoas que em tal distorção dos sentidos deste que conhecemos pelo nome de alegria. São muitas as causas que deveras fazem com que me sinta fadigado, por esta labutada vida, quem em todo tempo teima em forçar-me a ponto de desfalecer-me, ainda contrito trago a minha memória, as tais coisas que deveriam encher meu coração de esperança, inspiro-me de tal modo que meus pulmões tornem fôlego, para então retomar por esforço cada um de meus bens, que de assalto foram de mim retirados. Ainda assim me ponho de pé, caminhando um passo raso de cada vez, sem comprometer-me a sanidade, descubro então uma esquizofrenia mórbida transfigurando minha realidade em algo insípido, mesmo assim continuo sem cessar meus passos, agora menos vagarosos, menos moribundos, porém...

Romântico

Eu que a muito tempo não escrevo Me pego a estes versos a escrever Eu que já desistira de ser romântico Me pego a suspirar ao pensar em ti Eu que acreditava na falência do amor Me pego a pensar em formas de agradar te Eu que não acreditava mais em pureza Me pego alegre com sua fé Eu que apreciava a complexidade das coisas Me pego feliz ao ver seu sorriso Eu que não tinha mais medo de nada Me pego temendo lhe perder Eu que tudo sabia a respeito de tudo Me pego a procura da resposta

Não me acostumo

Não me acostumo com o clima com o tempo com o vento e outras coisas Não me acostumo com coisas simples que deveria me acostumar Não me acostumo com coisas boas com as ruins com as que tenho que fazer Não me acostumo com o rítimo que minha vida leva ou deixa de levar Não me acostumo com meu cabelo com minha barba com as roupas que tenho que usar Não me acostumo com a indiferença que costumo lançar Não me acostumo com as distâncias com não lhe ter por perto com ter que ficar tão longe Não me acostumo com o fato de não me acostumar Não me acostumo fatos sórdidos com histórias pobres com ter que acreditar Não me acostumo com ilusões insossas Não me acostumo ao fato de achar que esta lista pode aumentar com saber que as frases não rimam com pensar que voltou para conferir Não me acostumo com o fato que por ter feito ou não isso começou a rir.